As declarações do presidente do Governo, Pedro Sánchez, sobre um possível 'adiantamento técnico' das eleições gerais geraram inquietação no PSPV da Comunidade Valenciana (comunidade autónoma espanhola), já que reavivam o temor a um 'superdomingo eleitoral' que sobreponha os pleitos locais e autonómicos.

Os 3 pontos-chave
  • Pedro Sánchez mencionou a possibilidade de «adiantamentos técnicos» para as eleições gerais em uma entrevista nesta segunda-feira.
  • A direção do PSPV teme que um «superdomingo eleitoral» distorça as campanhas locais e regionais.
  • As eleições autonómicas e locais estão previstas para o quarto domingo de maio, enquanto as gerais de 2023 foram realizadas em 23 de julho.

O que significa um 'adiantamento técnico' no calendário eleitoral?

A formação socialista ainda analisa as implicações da entrevista concedida pelo presidente do Governo, Pedro Sánchez, à Cadena Ser nesta segunda-feira. Além da situação da ministra Diana Morant, uma das afirmações de Sánchez que captou a atenção do PSPV refere-se a um possível adiantamento das eleições gerais. O presidente assinalou que, se lhe perguntassem por uma data concreta, «já entramos em um território no qual efetivamente pode haver adiantamentos técnicos ou não", no âmbito do seu objetivo de esgotar a legislatura.

Estas declarações, que a fonte descreve como rodeadas de um halo de mistério, provocaram certa inquietação entre alguns cargos e prefeitos da federação valenciana. A incerteza sobre o calendário eleitoral de 2027 voltou a reavivar as preocupações sobre uma possível coincidência de pleitos que, segundo os dirigentes socialistas, poderia ser contraproducente para os seus interesses.

Por que o PSPV teme um 'superdomingo' eleitoral?

A preferência majoritária dos prefeitos e dirigentes autonómicos socialistas é que as eleições locais e regionais não sejam realizadas ao mesmo tempo que as gerais. O objetivo é evitar um «superdomingo eleitoral» que concentre todas as votações em uma única jornada. A razão principal desta preocupação reside na pouca confiança, especialmente entre os prefeitos, de que uma concorrência simultânea às urnas com Pedro Sánchez possa trazer algum benefício eleitoral.

O debate nacional, percebido como extremamente polarizado, é considerado um fator que poderia influenciar negativamente as campanhas locais e autonómicas. Os dirigentes temem que este foco na política estatal possa «ofuscar a gestão local» realizada nos municípios, desviando a atenção dos eleitores dos êxitos e projetos realizados a nível municipal. Este receio já se manifestou no passado mês de junho, quando muitos dirigentes socialistas respiraram com certo alívio após Sánchez descartar a possibilidade de um «superdomingo eleitoral» naquele momento.

No entanto, as palavras de Sánchez sobre um «adiantamento técnico» voltaram a acender a chama da preocupação entre as fileiras do PSPV (Partido Socialista do País Valenciano), como admitiam fontes da formação a este jornal. A proximidade das datas eleitorais e a possibilidade de uma sobreposição geram um cenário de incerteza que poderia afetar a estratégia e os resultados dos pleitos previstos.

O calendário previsto e as opções sobre a mesa

As eleições autonómicas e locais estão fixadas para o quarto domingo de maio, ou seja, 23 de maio. Por sua vez, as eleições gerais de 2023 foram realizadas em 23 de julho. Tendo em conta os 54 dias de antecedência que são necessários entre a convocação e o dia da votação, a margem para um «adiantamento técnico» é muito reduzida. Esta escassa janela de tempo poderia provocar uma sobreposição entre a campanha ou précampanha das eleições autonómicas e a convocação das gerais, o que poderia «distorcer o processo» dos pleitos regionais e municipais.

A proximidade das duas datas é tal que, segundo a fonte, apenas um «taticismo eleitoral» poderia justificar que não fossem realizadas conjuntamente. Esta é precisamente a situação que preocupa no PSPV e noutras federações socialistas, já que poderia implicar uma estratégia política por parte do presidente do Governo que afetasse diretamente os seus resultados eleitorais a nível regional e local.

A «desorientação» gerada pela menção de Sánchez ao «adiantamento técnico» levou a diversas interpretações dentro da formação socialista. Alguns dirigentes atribuem-no a um adiantamento mais pronunciado das eleições gerais, que as situaria no início do ano, antes das autonómicas e locais. Esta opção seria a preferida pelos prefeitos e candidatos autonómicos em geral, já que os seus processos eleitorais ficariam separados do foco de Pedro Sánchez e da alta polarização nacional.

No entanto, o presidente do Governo não deu pistas sobre esta possibilidade. De facto, na mesma entrevista, lembrou que os resultados do PSOE nas eleições gerais de 2023 foram melhores do que nas autonómicas, e insistiu no seu desejo de chegar ao final da legislatura. Outra opção, que não seria considerada um «adiantamento técnico», seria Sánchez «alongar os prazos» para realizar as eleições gerais após o verão de 2027, deixando assim passar vários meses desde os pleitos autonómicos e locais.

A situação de Diana Morant e o seu impacto

À margem da incerteza sobre o calendário eleitoral, a situação da ministra e secretária-geral do PSPV-PSOE, Diana Morant, também continua a ser um ponto de atenção. A resposta firme de Pedro Sánchez descartando mudanças no seu governo implica que Morant «continuará no Executivo central», pelo menos por enquanto. Esta decisão tem uma incidência direta na federação valenciana, já que uma boa parte da direção do PSPV acredita que a candidata socialista à Generalitat (governo autonómico da Comunidade Valenciana) deveria «libertar-se da gestão em Madrid» para poder «concentrar-se na Comunidade».

A permanência de Diana Morant no ministério, como informou este jornal, arrefece a possibilidade de que se dedique exclusivamente à sua candidatura autonómica. Este facto, somado à incerteza sobre o calendário das eleições gerais, acrescenta uma camada adicional de complexidade à estratégia do PSPV de cara aos próximos pleitos. O enigma sobre os planos do presidente do Governo, que só ele conhece, voltou a reacender a chama da dúvida nas diversas federações e prefeitos da formação socialista em relação ao calendário que maneja para 2027, um calendário que pode ser «decisivo para o resultado final» dos diferentes pleitos.