O Governo suspendeu a licitação de contratos no valor de 1.006 milhões de euros destinados à conservação de estradas, incluindo algumas na Comunidade Valenciana (região autónoma no leste da Espanha), após um recurso especial apresentado pela patronal ACEX por supostas irregularidades na adjudicação.
- O Governo paralisou contratos de 1.006 milhões de euros para a conservação de estradas.
- A suspensão afeta a Comunidade Valenciana e outras nove regiões autónomas, atrasando melhorias na segurança viária e no pavimento.
- A patronal ACEX apresentou um recurso denunciando irregularidades no sistema de adjudicação.
A paralisação dos contratos de conservação viária
A Direção-Geral de Estradas viu a licitação de vários contratos, que somam um total de 1.006 milhões de euros, ser suspensa. Esta medida temporária ocorreu após a Associação de Empresas de Conservação e Exploração de Infraestruturas (ACEX) apresentar um recurso especial. Os fundos estavam previstos para a conservação de estradas em várias regiões, incluindo a Comunidade Valenciana.
Segundo consta nos documentos da licitação, a apresentação deste recurso paralisa temporariamente os trâmites dos contratos. A suspensão manter-se-á até que seja resolvida a impugnação apresentada pela patronal. Esta situação afeta diretamente o planeamento e a execução de trabalhos essenciais para a manutenção da rede viária estatal.
Os motivos do recurso da ACEX contra a adjudicação
A paralisação administrativa deve-se às irregularidades denunciadas pela ACEX. A organização empresarial argumenta que o sistema de adjudicação dos contratos viola a Lei de Contratos do Setor Público. Segundo a patronal, esta violação restringe a concorrência entre as empresas licitadoras e gera uma indefesa técnica para elas.
Um dos pontos-chave do recurso da ACEX é a omissão do desdobramento obrigatório. A patronal sustenta que o orçamento base da licitação não inclui o detalhe dos custos diretos, indiretos e salariais, nem a sua distribuição por género e categoria profissional. Por estes motivos, a ACEX exige a nulidade das bases do concurso e que se retrocedam as ações. O objetivo é que a Administração redija um novo caderno de encargos que cumpra os princípios de transparência e proporcionalidade que devem reger a contratação pública.
O impacto na Comunidade Valenciana e outras regiões
A verba de 1.006 milhões de euros estava destinada a cobrir infraestruturas distribuídas por um total de dez comunidades autónomas. Além da Comunidade Valenciana, as regiões afetadas são Catalunha, Castela e Leão, Castela-Mancha, Aragão, Madrid, La Rioja, Astúrias, Galiza e Andaluzia. Estes fundos eram cruciais para a melhoria da segurança viária e do pavimento nas estradas destas zonas.
A retoma de todo o processo de licitação está agora condicionada à resolução que for ditada pelo Tribunal Administrativo Central de Recursos Contratuais (órgão responsável por resolver recursos em matéria de contratação pública na Espanha). Até que este órgão emita o seu veredito, as licitações destinadas à melhoria da segurança viária e do pavimento nestas dez comunidades permanecerão congeladas, com a incerteza que isto acarreta para a manutenção das infraestruturas.
A preocupação dos transportadores com o estado das estradas
Uma das primeiras reações a esta suspensão partiu da CETM, a patronal dos transportadores. Num comunicado emitido esta terça-feira, a CETM manifestou a sua preocupação com a paralisação dos contratos. A patronal considera que nem os utilizadores das estradas nem, em particular, o setor do transporte de mercadorias devem ser prejudicados por um conflito derivado do procedimento de contratação.
A CETM adverte que a deterioração do pavimento, as deficiências na sinalização, a falta de manutenção adequada e as restrições decorrentes de obras ou das más condições da via têm consequências diretas e negativas. Estes fatores aumentam os tempos de viagem, elevam o consumo de combustível, provocam maior desgaste dos veículos e, em última instância, aumentam os custos operacionais para as empresas de transporte. A patronal sublinha a importância de uma manutenção contínua para garantir a fluidez e a segurança do trânsito.